Message from the President

28/05/2019

Senhores Acionistas, Clientes e Colaboradores

O Relatório e Contas, referente ao ano de 2018, carece, mais do que em qualquer outro dos últimos anos, de uma nota explicativa por parte do Presidente do Conselho de Administração a todos os stakeholders do Banco Comercial do Atlântico. Com efeito, as contas de 2018 refletem um evento extraordinário que, por si só, implicou a apresentação de Resultados Líquidos negativos face à sua magnitude e à obrigatoriedade de o registar como custo do exercício. O evento extraordinário é referente ao Acórdão do Tribunal da Relação de Sotavento que julgou como improcedente o recurso do BCA em relação à reclamação dos Trabalhadores, na sequência da alteração das condições de reforma dos beneficiários do Sistema Privativo de Segurança Social, que foi decidida pelo BCA em 2013.

Apesar da decisão do Tribunal ter ocorrido em janeiro de 2019 condenando o Banco à materialização daquela responsabilidade, resultando num acréscimo de responsabilidades do Fundo de pensões, por  contrapartida de resultados do Banco no montante de 1.142.309 de contos, com referência a 31 de dezembro de 2018.

O Resultado Liquido do Banco, no montante de -112.025 contos reflete um aumento de Custos com Pessoal de 1.287.513 contos face a 2017, proveniente da decisão do Tribunal da Relação, e que, tendo um caráter pontual e não repetível, faz antever um ano de 2019 muito positivo, ao nível da Conta de Exploração e de Resultados Líquidos. De facto, não fora este “acontecimento” e o Resultado Liquido de 2018 traduziria as melhorias verificadas ao nível do Produto Bancário que atingiu os 3.181.652 contos, registando um crescimento de 412.569 contos (+14,9%) face a 2017, e traduziria igualmente a não necessidade de reforço das imparidades face à melhoria do Crédito Vencido que durante o ano de 2018 registou um decréscimo no montante de -1.131.541 contos (-20,9%). Era expectativa do Conselho de Administração, antes da decisão do Tribunal, que o ano de 2018 terminasse com um Resultado Liquido na ordem dos 750.000 contos.

Efetivamente, o ano de 2018 em termos de Exploração Corrente (excluindo o fator referido) foi muito positivo, fruto da proatividade comercial do Banco, acompanhada de um apertado controlo de custos, mas igualmente suportada numa conjuntura macroeconómica favorável, da qual se destaca o seguinte:
De acordo com o Relatório de Política Monetária de Abril de 2019, a economia nacional registou um crescimento em volume de 5,5%, superior aos 4,0% registados em 2017. Segundo o mesmo Relatório, o crescimento económico foi determinado, sobretudo, pela dinâmica do sector público (impostos líquidos de subsídios e administração pública) e pelos desempenhos positivos do comércio, indústria transformadora, imobiliária e outros serviços e eletricidade e água. Faz ainda notar o Relatório que se verificou uma recuperação assinalável da construção e uma redução do contributo positivo do alojamento e restauração.
As previsões do negócio do BCA para o corrente ano de 2019 são positivas, prevendo-se que o crescimento do Crédito à Economia passe de 2,2% em 2018 para 5,1%, depois da dissipação dos efeitos da liquidação de um grande crédito no início do ano, beneficiando também da implementação dos mecanismos públicos de partilha de riscos e de redução do custo de financiamento, previstos no Orçamento de Estado para 2019.

Entretanto, a expetativa do BCV é de manutenção do contexto de baixas pressões sobre os preços e sobre a balança de pagamentos, sem efeitos substanciais sobre o nível de reservas, considerado necessário para acomodar a estabilidade do regime cambial de peg unilateral do escudo cabo-verdiano ao euro. Neste contexto, o Banco Central prevê a manutenção da atual orientação acomodatícia da política monetária, o que poderá favorecer a atividade bancária.
No contexto internacional, as perspetivas do FMI para 2019 e 2020 apontam para um crescimento global de 3,5% e 3,6% respetivamente, entretanto ainda muito condicionadas pelo desfecho das tensões comerciais entre os EUA e a China, as incertezas sobre os efeitos do Brexit, bem como o processo de normalização da Política Monetária dos principais Bancos Centrais do mundo, que deverá ganhar maior ímpeto em 2020.

Assim, em suma, as perspetivas do Banco Comercial do Atlântico para 2019 são otimistas, quer por via da conjuntura económica positiva a nível nacional, quer pela tendência crescente do produto bancário dinamizada em 2018 e que se deverá manter em 2019, criando assim as condições para que 2019 seja um ano favorável para o BCA.

No que se refere a 2018, importa dizer que na atividade corrente do Banco, os recursos de clientes continuaram a registar um crescimento positivo, pese embora as taxas mais baixas, com os recursos totais do BCA a crescerem 3,1%, contra os 4,5% registados em 2017. Os depósitos à ordem foram tal como em 2017, os grandes responsáveis pelo crescimento global dos recursos, com os depósitos à ordem das empresas a registarem taxas de crescimento superiores a 14%. 

A base de depósitos do BCA continua a estar suportada nos clientes particulares, os quais são responsáveis por 80% dos depósitos totais, com os cabo-verdianos na diáspora a contribuírem para mais de 48% do total dos depósitos.

No que respeita ao crédito, importa referir que o valor final da carteira normal de 2018 reflete a continuação da estratégia de apoio às famílias e às PME presentes nas 9 ilhas habitadas do País, com o crédito às famílias a crescer 4,9% face a 2017, para o qual contribuíram os novos produtos lançados para este segmento, onde se destacam o BCA Nôs Kasa e o BCA Crédito Automóvel. O crédito a empresas registou um decréscimo, pois apesar do forte apoio às PME com o reforço da linha PME em mais 2,5 Milhões de contos, atingindo os 7,5 Milhões no total, não foi possível compensar a liquidação de uma operação de elevado valor logo no início de janeiro de 2018.

O foco na melhoria da qualidade do crédito teve resultados, com a carteira de crédito vencido a decrescer mais de 1.100.000 contos, passando de 5.398.431 contos em 2017 para 4.266.800 contos em 2018, fixando-se o rácio de incumprimento em 11,7% da carteira contra os 14,3% de 2017. Para este facto contribuiu a estratégia de redução de Non Performig Loans (NPL) definida para o quadriénio 2018/2021, e uma política consistente e rigorosa de abate ao ativo.

No que respeita aos custos operativos, cuja contenção e redução tem sido igualmente um foco de preocupação do banco nos últimos anos, registaram em 2018 um crescimento de 59,6% face a 2017, resultado do impacto do Acórdão do Tribunal da Relação, pois expurgando este efeito o seu crescimento teria sido nulo face a 2017.

Reiterando uma vez mais a importância do impacto da decisão do Tribunal de Relação do Sotavento, face à magnitude dos valores envolvidos, nas contas do BCA que implicaram o registo de resultados líquidos negativos, é relevante ressaltar que o Banco conseguiu acomodar um custo superior a 1.577.608 contos no exercício de 2018, não pondo em causa a sua solidez, mantendo um rácio de solvabilidade de 15,18% muito acima do mínimo legal exigido de 12%.

A capacidade de acomodar este impacto só foi possível porque a exploração corrente (excluindo este fator) foi muito positiva em 2018, graças à qualidade, empenho, dedicação e profissionalismo de todos os colaboradores do Banco, pelo que lhes é verdadeiramente merecido, nesta sede, o reconhecimento e agradecimento em meu nome pessoal e em nome de todo o Conselho de Administração.

Igualmente, o Conselho de Administração manifesta o seu agradecimento e apreço a todos os Acionistas, à Mesa da Assembleia Geral, ao Conselho Fiscal, ao Auditor Externo, ao Banco de Cabo Verde, à Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários e à Bolsa de Valores de Cabo Verde por toda a colaboração prestada ao longo dos anos.

Aos nossos clientes, o nosso agradecimento especial pelo privilégio da sua confiança e da sua preferência, reiterando o nosso empenho em procurar garantir a satisfação das suas expectativas através de uma cada vez melhor qualidade de serviço e estreitamento de laços que possibilitem a longevidade das nossas relações, pois os clientes são a razão da nossa existência.

Dr. Francisco Pinto Machado Costa

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