Mensagem do Presidente

.

Senhores Acionistas, Cliente e Colaboradores,
 
É com enorme satisfação que enquanto Presidente do Conselho de Administração do Banco Comercial do Atlântico me dirijo a todos os stackholders do Banco, para vos dar nota de como correu o ano económico de 2019. Em primeiro lugar gostaria de ressaltar que o Resultado Liquido do ano, não só registou um valor superior ao orçamentado, como se destaca por ser o melhor resultado líquido dos 27 anos de história do Banco. Efetivamente o Resultado Liquido de CVE 1.170.433 no ano de 2019 é fruto da estratégia que o Banco tem vindo a seguir nos últimos anos com um enfoque na melhoria do Produto Bancário conjugado com um apertado controle dos seus Custos de Exploração e associado a um muito rigoroso acompanhamento do risco do crédito. A conjugação destes três pilares possibilitou ao BCA apresentar um Resultado Liquido em linha com as melhores expectativas dos nossos acionistas, clientes e colaboradores.
Face a um ano económico muito satisfatório em 2019, as perspetivas para 2020 eram no final de 2019 e início de 2020 igualmente muito positivas, as quais estão refletidas num primeiro trimestre de 2020 com uma melhoria do Resultado Operacional superior a 10% face ao período homólogo de 2019.
Em 11 de Março de 2020, como todos sabemos, a OMS declarou como pandemia a propagação do vírus COVID-19 o que levou o Mundo a tomar medidas inimagináveis até à data, determinando o confinamento das populações na maioria dos países ocidentais depois de o mesmo já ter sucedido no Extremo Oriente nos meses de janeiro e fevereiro. Este confinamento trouxe para a economia mundial um novo conceito de crise, uma crise causada não por um desequilíbrio entre oferta e procura que genericamente têm conduzido às crises que o Mundo tem vindo a assistir, mas por uma paragem administrativa da economia por decisão governamental dos vários estados nação, sem que se consiga antecipar os verdadeiros efeitos desta paragem para a economia mundial em 2020 e em 2021.
Face ao caráter administrativo da crise a maioria das projeções do BM do FMI e da EU são de que a recuperação será em forma de V antecipando um rápido crescimento económico no pós-crise, e com razoáveis níveis de recuperação já para o ano de 2021.
Em face destes acontecimentos é difícil perspetivar o ano económico de 2020 para a banca e para o BCA, mas seguramente será um ano marcado pela redução da atividade de concessão de crédito face a uma natural redução ou adiamento de investimentos por parte dos promotores e investidores e consequente retração da procura de crédito, ao que acrescerá uma deterioração da carteira de crédito por via do aumento do incumprimento quer das famílias fruto do desemprego, quer por redução da atividade económica de muitas empresas. 
Contudo face a um esforço conjunto entre Governo e o Banco Central o impacto negativo desta crise provocada pelo COVID-19, tenderá a ser mitigado para a banca, pelo menos numa fase inicial através do mecanismo das moratórias legais definidas pelo DL nº38/2020, bem como pelas medidas prudenciais excecionais e temporárias definidas pelo aviso nº2/2020 do BCV.
Pese embora a importância destas medidas e dos seus efeitos positivos nas contas de exploração dos bancos no ano de 2020, não se poderá desvalorizar o impacto negativo que esta crise seguramente terá no sistema financeiro como um todo, e o BCA não será exceção.
Efetivamente, e apesar da dificuldade de fazer a esta data uma razoável avaliação dos impactos, o que o Conselho de Administração do BCA espera é que a pandemia venha a repercutir-se negativamente em várias áreas do Banco, sendo a com maior expressão a que se refere ao aumento dos níveis de incumprimento por parte de empresas e famílias, a qual terá impacto nas imparidades e seguramente no resultado líquido do ano e consequentemente na rentabilidade do negócio.
Contudo, apesar do exposto, não posso deixar de referir que quer por via da sua estrutura de capitais, quer pela melhoria da qualidade da sua carteira de crédito o Banco Comercial do Atlântico está hoje melhor preparado, do que em crises anteriores, para enfrentar um cenário de grande adversidade macroeconómica. Ora vejamos, o BCA apresenta no fim deste exercício económico um rácio de solvabilidade de 19,16%, muito acima dos 12% mínimo exigido pelo Supervisor, igualmente o banco termina o ano de 2019 com um rácio de incumprimento de 9,5%, o que estando ainda muito longe dos valores desejados, é necessário recuar 10 anos na história do BCA para encontrarmos um rácio de crédito vencido inferior ao atual.
Tendo em conta a invulgar incerteza que se abateu sobre o Mundo face a uma crise com caraterísticas tão invulgares, as previsões que hoje temos dos vários organismos internacionais estão em constante atualização em parte fruto das diferentes fases da pandemia em que as grandes zonas económicas do mundo se encontram, com a Asia já em claro retorno à normalização, a Europa em processo controlado de desconfinamento económico e social e os EUA ainda a lutar com as questões sanitárias da crise.
Neste contexto as previsões para 2020 foram recalculadas em baixa invertendo-se um ciclo de crescimento da atividade creditícia do banco, e tal como referido uma previsão de aumento do crédito vencido, contudo continuando-se a prever resultados líquidos em linha com os de 2019, que garantiram um ROE de 18,7%.
Efetivamente em 2019 o Banco Comercial do Atlântico continuou a merecer a confiança dos cabo-verdianos com os depósitos totais a crescer (+1,3%), sendo os depósitos dos emigrantes os que mantêm o peso mais significativo, representando 47,5% do total dos recursos do BCA e 67% do total dos depósitos a prazo e de poupança. Os particulares representam a maior fatia de depositantes com 80,1% dos depósitos contra os 19,9% das empresas, em linha com o que já se verificava nos anos anteriores, o que continua a garantir uma muito significativa dispersão da base de recursos do BCA, com o maior depositante a representar cerca de 3% do total dos depósitos.
Igualmente no crédito o nível de dispersão é elevado, tendo a carteira do BCA continuado a crescer muito significativamente em operações de apoio às famílias, quer para aquisição de habitação própria, quer para outros fins, bem como se manteve uma dinâmica expressiva na linha PME com um crescimento de 5,3% em termos de desembolsos face a 2018, numa clara estratégia de dispersão do risco da carteira nos dois segmentos de negócio.
O risco de crédito continuou a merecer por parte do Banco uma atenção muito especial traduzida numa politica de concessão rigorosa e numa dinâmica de recuperação muito ativa. O resultado conjugado destas duas realidades associado a uma conjuntura económica favorável possibilitou a diminuição do crédito vencido à data de 31 de Dezembro em -16,2% face a igual data de 2018. Efetivamente a variação registada no biénio 2018/19 representa uma redução acumulada de –1.841 mcts (-1.131 mcts em 2018 e -710 mcts em 2019) traduzindo-se num decréscimo da carteira de crédito vencido em -34,1% face a dezembro de 2017.
O BCA manteve igualmente em 2019 uma estratégia conservadora no que respeita à imparidade do crédito traduzida num grau de cobertura do crédito vencido pela imparidade superior a 75%.
No que concerne aos recursos humanos o Banco Comercial do Atlântico manteve praticamente inalterado o número de colaboradores, menos 2 do que em igual período do ano passado, apesar de se ter registado um número significativo de aposentações e um igualmente significativo número de contratações. 
Com mais de 60% dos colaboradores com habilitações de nível superior o BCA continua a fazer uma muito significativa aposta na melhoria da qualificação dos seus quadros, tendo em 2019 sido ministradas mais de 5.500 horas de formação com mais de 86% dos colaboradores no ativo a participarem nestas ações.
Economicamente o ano de 2019 destacou-se pelo melhor Resultado Liquido da longa história do Banco, devendo dar-se enfoque a uma melhoria da Margem Financeira que cresceu 7,9% face a 2018, à evolução positiva da Margem Complementar que registou um incremento de 9,4%, tendo estas variações possibilitado ao Banco registar uma melhoria do Produto bancário de 8,2%.
Tal como nos anos anteriores os custos de exploração foram objeto de uma rigorosa política de contenção, pese embora estes continuem a sofrer pressão em sentido inverso, essencialmente fruto do recurso a entidades externas no apoio à acomodação das várias exigências regulatórias e da melhor capacitação das principais linhas de defesa do Banco, Risco, Auditoria e Compliance.
Com a melhoria do Produto bancário do Banco e um controle de custos apertado, o banco atingiu um cost-to-income de 54,8%, o qual não se pode comparar com os anos anteriores visto que não engloba já custos com as responsabilidades dos Pensionistas, mas que já se apresenta em linha com o verificado num número muito significativo de Bancos em todo o Mundo.
Face a um Resultado Liquido histórico de 1.170 mcts, era pretensão da Administração propor aos acionistas a distribuição de 50% desse resultado, contudo em face do Comunicado do BCV de 26 de Março de 2020, no qual como medida preventiva aos efeitos nefastos do Covid-19 o Regulador recomenda aos bancos a não distribuição de dividendos referentes ao ano de 2019, medida que a Administração do BCA acomodou, pelo que irá propor aos acionistas a retenção dos resultados de 2019, traduzindo-se esta retenção num rácio de solvabilidade de 19,16%.
Em resumo o Banco Comercial do Atlântico está hoje com razoáveis níveis de eficiência (cost-to-income de 54,8%) com um bom nível de rentabilidade (ROE de 18,7%) e apresenta uma estrutura de capitais sólida (rácio de solvabilidade de 19,16%).
Estes indicadores só foram possíveis fruto da dedicação, da competência e do extraordinário profissionalismo de todos os colaboradores do Banco Comercial do Atlântico aos quais quero deixar aqui bem expresso o muito merecido agradecimento em meu nome pessoal e em nome de todo o Conselho de Administração.
Igualmente, o Conselho de Administração manifesta o seu agradecimento e apreço a todos os Acionistas, à Mesa da Assembleia Geral, ao Conselho Fiscal, ao Auditor Externo, ao Banco de Cabo Verde, à Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários e à Bolsa de Valores de Cabo Verde por toda a colaboração prestada ao longo dos anos.
 
Aos nossos clientes, a razão da nossa existência, registo aqui o nosso agradecimento especial pelo privilégio da sua confiança e da sua preferência, reiterando o nosso empenho em procurar garantir a satisfação das suas expectativas através de uma cada vez melhor qualidade de serviço e estreitamento de laços que possibilitem a longevidade das nossas relações.  
 

Dr. Francisco Pinto Machado Costa
2020

Acessos Rápidos

SEJA CLIENTE BCA

Conheça as vantagens de ser cliente do BCA, comece aqui a sua relação com o nosso Banco.

FORMULÁRIOS

Encontre aqui os formulários de adesão para aderir aos vários produtos e serviços que o BCA tem à sua disposição.

MERCADOS

Consulte o espaço dedicado ao Mercado de Capitais em Cabo Verde.

BCA IMÓVEIS

Adquira um apartamento, uma casa, um prédio, ou um espaço para o seu negócio/escritório, através do BCA.

2016 Banco Comercial do Atlântico, S.A. - Todos os direitos reservados
Sede Praça Alexandre Albuquerque, C.P. 474  Praia, Cabo Verde,
NIF: 200151606
Telefone:(238) 260 46 60
bca@bca.cv