Mensagem do Presidente

Senhores Acionistas, Clientes e Colaboradores

Desde finais de 2011, que o sistema bancário nacional enfrenta um contexto muito adverso: se, naquele ano, o crédito em todo o Sistema Financeiro Nacional cresceu 9%, entre 2012-2015 os bancos vêm laborando num contexto de fraco crescimento/quase estagnação do crédito, ao qual esteve e está associado um significativo nível de incumprimento.

Com efeito, nos últimos 4 anos, o mercado de crédito cresceu apenas 1,2% em média anual, e o nível de incumprimento do sistema evoluiu de 11,8% em 2011 para 19,3%, em Setembro 2015.

O mercado do crédito em Cabo Verde continua a refletir as condições pouco favoráveis da economia internacional e da envolvente nacional, as quais, em conjunto, vêm impactando nas expectativas de todos os agentes económicos, afetando o comportamento do produto e do emprego.

O PIB mundial, de um crescimento de 4,2% em 2011, apresenta, desde então, uma tendência de crescimento em torno dos 3,3% em média anual. Neste período, os países das economias mais prósperas cresceram abaixo da média do crescimento mundial (1,5% em média anual) e, mesmo as economias emergentes e em desenvolvimento, incluso o conjunto das economias subsarianas, desde 2011 que desaceleraram os seus ritmos de crescimento (4,7% em média anual no período, contra 6,3% em 2011).

A Zona Euro continuou a enfrentar uma conjuntura marcada pelos programas de correção dos défices orçamentais e dos níveis das dívidas soberanas em vários países, que impactaram muito negativamente no funcionamento do seu Sistema Financeiro, nas condições de financiamento das Empresas e das Famílias de um elevado número de Estados Membros, bem como nos respetivos níveis de produto e emprego. No entanto, se nos anos de 2012 e 2013, a Zona Euro esteve em recessão, tudo aponta para que o ano de 2014 tenha sido um ano de viragem, porquanto, esta zona cresceu cerca de 0,9% neste ano, 1,5% em 2015 e as estimativas projetam taxas de crescimento de 1,7% para 2016 e 1,9% para 2017. Nos países da moeda única, num contexto de continuada baixa inflação, este crescimento tem sido alavancado, por ordem de importância, pelas Exportações, pela Formação Bruto de Capital Fixo e pelo Consumo Privado. Quanto ao desemprego, após ter crescido para níveis de cerca de 12% em 2013, desde aí que a tendência é de melhoria, estando ainda, no entanto, acima dos 10%. Vão no mesmo sentido as projeções de crescimento da Economia Mundial: 3,4% em 2016 e 3,7% em 2017.

Nesta conjuntura, as performances das economias Portuguesa, Espanhola e dos Países Baixos - Com as quais a economia Cabo-Verdiana está mais integrada - Traduziram-se em crescimentos negativos, respetivamente por três (2011-2013/Portugal) e dois anos (2012-2013/Espanha e Países Baixos) seguidos e, consequentemente, em níveis de desemprego muito elevados para economias maduras. A boa notícia é que estas 3 economias, em 2014 e 2015, tiveram taxas de crescimento iguais ou acima da taxa da Zona Euro e, para o horizonte de 2016, prevê-se que cresçam a taxas superiores às daquela sub-região europeia. Três fatores apontam para a sustentabilidade deste crescimento: a desvalorização do euro em relação ao dólar, a qual torna a Europa mais competitiva face aos mercados extracomunitários; as decisões do BCE e da CE, de combate à deflação e de promoção do investimento público e privado; a descida do preço do petróleo. A economia do Reino Unido, um dos principais mercados emissores de turismo para Cabo Verde, desde 2014 que cresceu e projeta crescer acima da economia da Zona Euro.

A economia americana, depois de enfrentar um crescimento negativo em 2009, em linha, aliás, com a recessão enfrentada, neste ano, por todas as economias avançadas, depois daquele ano cresceu acima da Zona Euro e, para o horizonte de 2016, estima-se que continue a crescer a uma taxa superior: 2,8%% contra 1,6%. No entanto, a China - e outras economias emergentes -, que tem sido um dos motores de crescimento da economia mundial, apresenta alguns sinais de perda de ritmo ao nível do PIB.

Com os seus principais parceiros económicos em recessão, ou com ritmos de crescimento mais reduzidos, a economia de Cabo Verde, após 2011, foi particularmente penalizada em duas condições do seu financiamento externo - Redução do nível de IDE e quebra das transferências correntes e de capital oficiais, as quais, apesar de terem sido contrabalançadas com a evolução favorável das remessas de emigrantes e das receitas turísticas, impactaram negativamente no crescimento do PIB. Com efeito, entre 2012 e 2015, em média anual, o PIB de Cabo Verde cresceu pouco acima de 1,25% e a taxa de desemprego evoluiu de 10,7% em 2010, para 15,8% em 2014. A taxa de desemprego juvenil (15/24 anos) teve níveis e evoluções ainda mais desfavoráveis.

Nos últimos anos, a política orçamental expressou-se num ambicioso programa de investimentos públicos orientado para a redução do défice de infraestruturas do País, mas os seus efeitos, por serem mais visíveis só no longo prazo, compensou insuficientemente os efeitos negativos da envolvente internacional e seus impacto sob as expectativas dos agentes económicos privados, que impactaram negativamente no crescimento do PIB, em particular nas componentes investimento privado e consumo das Famílias e, por outro, nas receitas do Estado e, consequentemente, nos níveis da dívida pública.

No final de 2011 e durante parte do ano de 2012, a política monetária, prioritariamente orientada para a manutenção da paridade do Escudo Cabo-Verdiano em relação ao Euro, traduziu-se na redução da liquidez do Sistema Financeiro, uma situação que conduziu os Bancos à adoção de medidas de proteção da sua base de depósitos, através de uma subida significativa das taxas de juros passivas em todos os prazos de maturidade.

No Sistema Bancário Nacional, entre 2011-2015 os recursos dos clientes cresceram 10,5% em média anual. Contudo, face à contração da atividade económica mas, sobretudo, à quebra das expectativas dos agentes económicos - Já com níveis de alavancagem muito expressivos -, A procura de crédito, ao crescer apenas de 1,2% em média anual, não acompanhou aquele crescimento, o que, se por um lado, aliviou as restrições de liquidez dos Bancos, a partir do segundo semestre de 2012 e durante todo o ano de 2013, por outro, teve efeitos negativos na margem financeira, também agravada pela evolução crescente dos níveis de incumprimento das carteiras de crédito.

Com efeito, a partir do 2º semestre de 2012 e durante todo o ano de 2013 e 2014, a procura da liquidez disponível nos Bancos não se fez sentir na quantidade e na qualidade desejada e as alternativas de aplicação dos recursos, nomeadamente os títulos do Banco Central e do Tesouro, com taxas decrescentes de fecho nas sucessivas emissões, inibiram aquela componente do produto bancário.


As medidas de política monetária de março, outubro de 2014 e em fevereiro de 2015 para incentivar os Bancos a conceder mais crédito à economia, ainda não produziram, em nível significativo, o efeito desejado. Isto porque, a alavancagem da economia, a quebra de confiança dos agentes económicos e o ainda elevado nível do custo médio do funding, inibiram a eficiência dos mecanismos de transmissão da política monetária, que se quer expansionista.

Apesar disso, no final do 3º trimestre de 2014, o BCA lançou uma linha de crédito de 1 milhão de contos para PME?s, com taxas de juro mais reduzidas e destinadas a novos investimentos, a que se seguiu o seu reforço para 2 milhões de contos, em 2015, complementadas com outras iniciativas dirigidas às famílias: nos domínios do crédito à habitação - Linha de Crédito Nu Pinta Nós Tera no valor de 1 milhão de contos - à aquisição de viaturas, conta ordenado, etc. Em meados de 2015, O BCA reviu em baixa as suas taxas de juro ativas e passivas, indo ao encontro, de forma mais consistente, das orientações da política monetária.

O fraco crescimento da carteira de crédito, a par de um excesso de liquidez no Sistema, aumentou o poder negocial dos melhores clientes e conduziu à sua disputa por todos os concorrentes do mercado, reduzindo a diferença entre taxas de juro ativas e passivas. Em consequência, no BCA, a margem financeira caiu de 10,6% em 2013 e de 4,3% em 2014, fixando-se em 1,91 e 1,83 milhões de contos, respetivamente. A margem complementar também caiu de 3,5% em 2013, porém, em 2014, cresceu de 5,6%. Do efeito combinado das duas margens, resultou um nível de produto bancário ligeiramente mais baixo, que se fixou em 2,63 milhões de contos, em 2013 e em 2,59 milhões de contos, em 2014. Porém, no ano de 2015, o produto bancário aumentou de 2,2%, puxado por um crescimento de 6,3% da margem financeira.

A perceção antecipada do Conselho de Administração relativamente à evolução das condicionantes estruturais do mercado de crédito conduziu, desde 2013, à definição e aplicação de uma estratégia consistente e participada, ancorada em cinco objetivos complementares: aumento do produto bancário; melhoria da qualidade do crédito; mais eficiência operacional; crescimento da rentabilidade do banco; qualificação dos recursos humanos, mudança de atitude e incremento da qualidade do serviço aos clientes.

Com o foco nestes objetivos e uma elevada participação dos quadros diretivos nas decisões estratégicas do Banco e correspondente aplicação, é já evidente a inversão de tendência em três domínios relevantes da atividade do Banco: mais eficiência, maior rentabilidade e maior solidez/solvabilidade. Uma evolução necessária para o BCA continuar a enfrentar uma conjuntura adversa, cuja evolução não controlamos, por depender criticamente de fatores da envolvente internacional e nacional em que operamos.

Com efeito, se os sinais da economia internacional são positivos, porquanto se espera que, finalmente, a Zona Euro comece a crescer de forma sustentada, importa no entanto referir que a politica monetário e a politica orçamental continuam a divergir entre si, quanto aos sinais que transmitem à economia: à luz das mais recentes decisões do BCV, a política monetária é de incentivação do crédito, porém, a política orçamental, na sua componente fiscal, aponta para uma penalização do rendimento disponível das famílias e da liquidez das empresas, ao mesmo tempo que, restringida pelos níveis de divida pública, desacelerou a política de investimentos públicos. Há porém sinais que apontam para uma evolução do PIB de Cabo Verde, a taxas mais elevadas do que a média dos últimos anos.

Após 4 anos consecutivos de uma conjuntura muito adversa, estes resultados só foram possíveis devido à mobilização, profissionalismo e dedicação dos quadros diretivos do Banco e das suas equipas, pelo que lhes é devido, nesta sede, o merecido reconhecimento e agradecimento. Estamos certos de que continuaremos a contar com a dedicação e profissionalismo dos nossos quadros, na superação dos desafios que temos pela frente.

Nesta oportunidade, em nome do Conselho de Administração do BCA, também manifestamos o nosso agradecimento e apreço a todos os Acionistas, à Mesa da Assembleia Geral, ao Conselho Fiscal, ao Auditor Externo, ao Banco de Cabo Verde, à Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários, à Bolsa de Valores, por toda a colaboração e competência prestada no acompanhamento da gestão corrente do Banco.

Aos Clientes, que são a nossa razão de ser, agradecemos o privilégio da sua confiança e reiteramos todo o nosso empenhamento na satisfação das suas expectativas na relação com o BCA, através do reforço da nossa proximidade e da disponibilização de produtos e serviços compatíveis com as preferências, interesses e necessidades, reforçando laços de fidelização, na base da confiança, respeito e interesses recíprocos.

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